01/03/07 – A estagnação
econômica causada pelo impasse político
que persiste há meses continua a castigar
o comércio do centre-ville de
Beirute. O movimento de restaurantes e similares
caiu
70% na região do Solidere.
Com a finalidade de atrair maior
clientela, uma entidade privada local, a Associação
de Comerciantes, lançará em 21
de março próximo o programa denominado
Beheback Bil Rabih. A partir de vasta campanha
de mídia, as ruas do centro serão
palco para apresentações de moda,
exposições de arte, fogos de artifício,
num esforço para ajudar os negócios
ainda abertos a resistir à crise. Também
em estudo está a formação
de um fundo privado, bem como linha de crédito
preferencial aos estabelecimentos em dificuldades.
Enquanto isso, François Bassile, presidente
da Associação de Bancos, dizia à imprensa
acreditar que o Estado libanês não
tenha quaisquer dificuldades para fechar suas
contas este ano. Bassile tampouco concebe qualquer
motivo de preocupação quanto ao
setor bancário, que detém alta
liquidez, com 50% dos depósitos em moeda
estrangeira, 24% dos quais no exterior e o restante
junto ao Banco Central libanês.
Para Bassile os bancos sofreram
com os ataques sofridos pela infra-estrutura
do país
em julho último, tanto quanto os demais
setores econômicos libaneses. Segundo ele,
as perdas diretas sofridas por sua clientela
são da ordem de US$ 80 milhões,
correspondentes a 15% de seus lucros líquidos.
Além disso, os bancos deverão enfrentar
as perdas indiretas correspondentes, causadas
pelo colapso da atividade econômica. “Nos
próximos anos, os bancos deverão
enfrentar as conseqüências da guerra,
aumentando suas provisões com sacrifício
de parte de seus lucros”, afirmou.
François Bassile reconhece que o setor
bancário deverá ocupar papel importante
na implementação de um programa
de reformas, acelerando-o através de mecanismos
de privatização de determinadas
estatais. Ele ressaltou entretanto a impossibilidade
de iniciar tais reformas ou promover desenvolvimento
sustentável à sombra da situação
política atual.
É flagrante o impacto dos acontecimentos
do último verão libanês sobre
a escalada de desenvolvimento dos últimos
anos. O crescimento econômico deveria ter
atingido 8% em 2006, mas com a ação
militar registrou na verdade recuo de 5%. A inflação,
que fora de 0,3% no ano anterior, chegou a 7%
neste último exercício. Ainda vivendo
um pesadelo, o país se vê diante
da urgência de ultrapassar o impasse político
do momento e poder assim dar início à recuperação,
que já conta com participação
internacional da ordem de US$ 9 bilhões. |